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Traficantes do Complexo da Penha desafiam o Estado e impõem o terror na capital

Levantamento da Polícia Militar mostra que a maioria dos confrontos entre agentes da Lei e criminosos ocorreu na região

03/07/2024 às 09h53 Atualizada em 06/07/2024 às 10h10
Por: Redação
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Foto Alexandre Damazio - Traficantes do Complexo da Penha, em Vitória, lideram confrontos com a PM
Foto Alexandre Damazio - Traficantes do Complexo da Penha, em Vitória, lideram confrontos com a PM

É a própria Polícia Militar quem afirma que a maioria dos confrontos ocorridos entre policiais e bandidos em Vitória foi registrada no Complexo da Penha, uma região que abriga 9 bairros e quase 33 mil moradores na capital. 

O conglomerado urbano, espremido entre as regionais de Jucutuquara e Maruipe, ironicamente, é vizinho do Quartel da Polícia Militar do Espírito Santo. 

Segundo o levantamento da PMES, entre outubro e novembro de 2023,  na região no entorno do Bairro da Penha  ocorreu quase metade dos confrontos com a polícia registrados em Vitória.

Entre as localidades está Jaburu, alvo da guerra do tráfico no último fim de semana, com quatro mortos e 11 presos, e que demandou intervenção militar.

A reportagem do Portal Rede de Notícias se passou por motorista de aplicativo e subiu diversas vezes o Complexo da Penha,  transportando moradores.

O que se viu é um intenso tráfico de drogas à luz do dia, envolvendo adolescentes e crianças armados.

Por duas vezes em uma semana nosso repórter levou usuários de drogas à região. Eles ofereceram R$ 10,00 além do valor da corrida para que o motorista esperasse a compra da droga. 

Traficantes e usuários se misturam na capital - Foto Alexandre Damazio 

 

Tanto no bairro Gurigica quanto no Bomfim, o usuário precisa subir uma escadaria para alcançar os traficantes,  geralmente adolescentes com uma bolsa cheia de drogas e muito dinheiro.

Um caderno da contabilidade está sempre recebendo anotações.  Estes traficantes da escadaria são escoltados por olheiros armados e com radio-comunicadores.

Em Itararé,  atrás do maior hospital privado de Vitória, fica a boca de drogas mais urbana da cidade. Isso porque a venda se dá no asfalto, na praça do bairro,  na porta da farmácia ou em becos quando a polícia chega. Mas não para nunca. 

A presença da polícia não inibe o trânsito de compradores,  mais intenso de manhã cedo,  quando usuários saem para o trabalho e já garantem sua porção de felicidade; na hora do almoço,  quando os viciados conseguiram dinheiro para comprar crack e cocaína, e no fim do dia, na volta para casa.

Presença constante da Polícia Militar não inibe o tráfico em Vitória - Foto Alexandre Damazio 

Por segurança, nossa equipe não rodou de madrugada para comprovar o rodízio do tráfico na capital.

Saindo do Complexo da Penha, já no Morro do Quadro, os jovens traficantes se revezam na venda da droga, sendo a mais consumida as buchas de maconha e pedras de crack.

Ali, o que se vê,  são moradores e usuários de outros bairros, a maioria vizinhos, que preferem não se envolver com o tráfico em seus bairros, comprando a droga antes de chegar em casa.

No Morro do Cabral, vizinho ao Quadro, a mesma cena: meninos com pelos ralos no rosto, cordões e relógios reluzentes e som do funk falando sobre a linguagem marginal, àquela à margem.

A conclusão de nossa missão é de que o tráfico,  muito além do Complexo da Penha, toma conta de toda Vitória, acuando os moradores da capital.

A política anti-drogas do governo não deu certo.  

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