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A desconfiança que trava a inteligência artificial nas empresas

A falta de qualificação e as restrições orçamentárias também pesam na balança, além das dificuldades com governança de dados.

28/01/2025 às 09h41 Atualizada em 28/01/2025 às 09h45
Por: Redação
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Foto Montagem IA
Foto Montagem IA

Enquanto o potencial da inteligência artificial é exaltado como motor de inovação e lucratividade, uma nova pesquisa da Qlik expõe um cenário de desconfiança que paralisa investimentos.

Globalmente, 61% das empresas estão reduzindo seus aportes em IA, refletindo um dilema que atinge também o Brasil, onde 49% das organizações seguem a mesma tendência.

Esse cenário contradiz a visão de 88% dos executivos globais, que consideram a IA crucial para alcançar objetivos estratégicos, percepção que chega a 94% entre os líderes brasileiros.

Apesar do entusiasmo declarado, a implementação efetiva da IA esbarra em desafios profundos. Uma em cada cinco empresas ao redor do mundo acumula dezenas de projetos que nunca avançaram além do planejamento. No Brasil, o índice é de 11%, ilustrando um problema que vai além de limitações técnicas.

A falta de confiança emerge como um dos principais entraves. Enquanto 37% dos gerentes seniores globais não confiam na tecnologia, no Brasil, essa resistência atinge 25%. Entre os trabalhadores de níveis operacionais, o índice é ainda maior, chegando a 46%, revelando uma barreira cultural tão importante quanto os desafios tecnológicos.

A falta de qualificação e as restrições orçamentárias também pesam na balança, além das dificuldades com governança de dados. No Brasil, 24% dos executivos apontam os desafios regulatórios como o principal obstáculo à adoção da IA. Essa combinação de fatores cria um ambiente onde o progresso é limitado, mesmo quando há consenso sobre o potencial da tecnologia.

Para superar essas barreiras, a pesquisa aponta que é necessário promover uma maior compreensão dos benefícios da IA tanto internamente quanto para os clientes. A capacitação de equipes aparece como solução prioritária, sendo defendida por 94% dos executivos brasileiros. Além disso, especialistas como James Fisher, diretor de estratégia da Qlik, sugerem que o caminho passa por identificar casos de uso claros, com metas e métricas bem definidas, para reconstruir a confiança e destravar os investimentos necessários.

A crise de confiança na IA não é um problema apenas de tecnologia, mas um reflexo de desafios estruturais e culturais que ainda precisam ser enfrentados. A pergunta que fica é: quantas oportunidades serão perdidas enquanto as empresas hesitam em dar o próximo passo?

Flávia Fernandes é jornalista formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), professora de língua inglesa e especialista em inteligência artificial pela PUC Minas e Faculdade Exame. Apaixonada por comunicação e inovação, investiga as conexões entre tecnologia, sociedade e o cotidiano.

 

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