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Bolsonaro comprou linguiça e sardinha enlatada para Yanomamis

Comida não faz parte da dieta indígena

15/05/2023 às 08h29 Atualizada em 15/05/2023 às 08h42
Por: Redação
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O genocida e sua trupe de amalucados tentou matar indígenas até com alimentação ruim
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Em uma mais demonstração de total descaso aos povos indígenas, o governo Bolsonaro empenhou e comprou R$ 4,4 milhões em sardinha enlatada e linguiça, alimentos que não fazem parte da dieta dos Yanomamis e dos demais ocupantes da floresta.

O governo Jair Bolsonaro pagou R$ 4,4 milhões para enviar ao Território Yanomami alimentos que não são consumidos pelos indígenas, durante uma crise humanitária. Desprezando recomendação técnica, a Funai assinou o contrato milionário para comprar cestas básicas contendo sardinha e linguiça calabresa. O peixe enlatado e o embutido não fazem parte da dieta local. Também não há registros de que os produtos foram entregues integralmente.

A área técnica já havia alertado o governo e o Ministério Público a respeito dos hábitos alimentares dos indígenas. “Os yanomamis não comem sardinha nem calabresa”, informou a coordenadora da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami, Elayne Rodrigues Maciel, responsável pelo órgão da Funai com atribuição exclusiva sobre a Terra Indígena Yanomami, em depoimento ao MP. 

Na ação que ouviu a servidora, de 2021, o MP pediu a condenação da União para considerar estudos antropológicos e nutricionais na composição das cestas. A Justiça acatou o pedido. O Estadão apurou que, mesmo depois da condenação, o governo Bolsonaro não só voltou a adquirir os alimentos como assinou a maior compra já realizada para a terra indígena de linguiça e sardinha em lata.

Conforme o Estadão revelou ontem, a Funai sob o governo Bolsonaro também comprou 19 toneladas de bisteca para enviar ao Vale do Javari (AM), mas a carne congelada não chegou às aldeias. Os contratos seguem em vigor no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Procurada, a Funai disse que irá avaliar as compras de bisteca, mas não comentou a compra de sardinha e calabresa. O delegado Marcelo Xavier, presidente da Funai no governo Bolsonaro, não se manifestou.A empresa contratada para vender ao governo linguiça e sardinha enlatada foi aberta em 2020, apenas dois meses antes da assinatura do primeiro contrato. Com sede em Boa Vista, a H. S. Neves Junior rapidamente se tornou a campeã nacional em vendas sem licitação para a Funai na gestão Bolsonaro.

Na Receita Federal, a firma de Helvercio declara que vende carne, automóveis, roupas e bicicletas. Em dois anos, a empresa se especializou em contratos com as Forças Armadas e com o governo de Roraima. Sob a gestão de Antonio Denarium (PP), o Estado fechou contratos de R$ 188 milhões com a H. S. Neves Junior. As Forças Armadas, por sua vez, acertaram compras que, somadas, totalizam R$ 586 mil.

Entre todos os territórios indígenas do País, a Terra Yanomami foi onde o governo federal mais despendeu recursos, ao longo de quatro anos, para comprar alimentos. Os gastos chegaram a R$ 7,8 milhões.

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